Câmara de Mauá barra impeachment e CPI contra Atila

Em derrota ao governo, pedido de Comissão de Acompanhamento foi aberta para fiscalizar gastos contra o coronavírus

Paula Cabrera

A Câmara de Mauá rejeitou nesta terça-feira (23/6) os dois pedidos de impeachment feitos contra o prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB) por suposto superfaturamento do hospital de campanha da cidade. Em ambos os pedidos, Atila conseguiu 14 votos favoráveis e teve sete contrários. A CPI (Comissão Parlamentar de inquérito) também não foi aprovada, mas com placar bem mais apertado- foram 11 votos contrários e dez favoráveis. Eram preciso 13 para confirmar a continuidade do processo.
Os pedidos de cassação foram feitos pelo pré-candidato a prefeito Mauro Roman (PRTB) e o vereador, e também pré-candidato, Marcelo Oliveira (PT), as duas utilizaram da abertura de inquéritos pelo Ministério Público por supostos crimes praticados pelo prefeito em relação ao equipamento de saúde e que foram levadas à tona na semana passada após operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
Nas duas votações foram 14 votos contrários aos pedidos: Admir Jacomussi (Patriota); Cincinato Lourenço (PSB); Chico do Judô (PSD); Chiquinho do Zaíra (Avante); Gil Miranda (Republicanos); Joelson Alves, o Jotão (SD); Pastor José da Silva (Avante); Ivan Stella (PSB); Irmão Ozelito (PSC); Ricardinho da Enfermagem (PSB); Betinho Dragões (PL); Samuel Enfermeiro (PSB); Severino do MSTU (PL), e o líder de governo Vladmilson Garcia, o Bodinho (Patriota).
Pai de Atila, o vereador Admir Jacomussi chegou a chorar na defesa do pedido de Marcelo Oliveira. “O joelho da minha mulher, que está no chão constantemente, vai sarar porque Deus é justo. E a justiça prevalecerá”, aifrmou ele. Que justificou que ambas as solicitações não possuíam provas contra o prefeito, apenas suposições.
Favoráveis ao impeachment, os vereadores Fernando Rubinelli (PTB); Helenildo Silva, o Tchacabum (PDT); José Wilson, o Melão (Cidadania); Professor Betinho (PSL); Adelto Cachorrão (Republicanos); e Sinvaldo Carteiro (PSL) também foram categóricos em confirmar a falta de transparência da administração municipal. “Atila fez uma transmissão em que apresentou o senhor Gilberto como responsável pelo hospital. Quando as informações sobre supostos problemas com sua contratação saíram na imprensa, ele colocou o secretário de Saúde para justificar que não seria ele”, afirmou professor Betinho.
Na primeira votação Marcelo Oliveira (PT) votou a favor, mas como foi o autor do segundo pedido acabou dando lugar ao suplente Paulo Eugênio (PT) para votar favorável ao pedido. “Acharam R$ 19,300 nos dutos de ar condicionado da casa do secretário. O promotor responsável pelo caso já deixou claro que há fortes indícios de crimes na contratação dessa OS”, defendeu Marcelo em seu discurso.
Apesar de ter conquistado a maioria dos votos, a votação deixou clara que Atila não tem mais a hegemonia da Casa, ato demonstrado nos discursos dos apoiadores, que preferiram afirmar que esse não era o momento para aprovar um pedido de impeachment pela possível falta de provas, já que as investigações seguem abertas. Os votos para a abertura de impeachment também confirmam que a postura de Atila não tem agradado, já que foi aprovada a abertura de uma Comissão de Acompanhamento para verificar a aplicação de verbas da administração no combate ao coronavírus.
Por impedimento do regimento interno do Legislativo o presidente da Casa, Vanderley Cavalcante, o Neycar (SD), não votou, assim como o vereador Manoel Lopes (DEM) que não foi para a sessão por ser do grupo de risco em relação ao coronavírus.