353 servidores infectados são afastados após teste rápido; Mauá é única a não fazer testes

Avaliação de profissionais têm sido fundamental para afastar pacientes assintomáticos, mas Atila ainda não teria autorizado testagem

Paula Cabrera

Santo André e São Caetano, que realizam testes em massa em grupos da população ligados aos serviços essenciais, já identificaram 353 pessoas que estavam contaminadas pelo novo coronavírus, mas não apresentavam sintomas da doença. Até terça-feira, haviam sido realizados 14.020 exames, sendo 5.319 em Santo André, com 209 positivos; e 8.701 em São Caetano, dos quais 144 apresentaram anticorpos. São Caetano foi a pioneira no serviço, com testagem desde o dia 25 de abril, Santo André deu início ao processo na sexta passada (6/5). Já em São Caetano as pessoas começaram a ser examinadas em larga escala dia 25 de abril.

Os testes rápidos que estão sendo realizados na região identificam dois tipos de anticorpos nos pacientes, o IGM e o IGG. De maneira geral, o IGM é o primeiro anticorpo, também conhecido como imunoglobulina, que surge no organismo depois da infecção. Esse exame aponta se o paciente ainda pode transmitir o vírus e é fundamental para entender a fase do paciente e se ele ainda deve manter o isolamento e por quanto tempo. O IGG registra se o corpo foi exposto ao vírus em algum momento, ou seja, se já há anticorpos no organismo.
A Prefeitura de Santo André destacou que todas as pessoas que testaram positivo foram orientadas a fazer o confinamento e procurar avaliação médica. Em São Caetano, os pacientes também foram orientados a manter as medidas de isolamento físico, mas os testes indicaram apenas quem já tinha os anticorpos do tipo IGG.

Mauá se nega a fazer testes
Apesar de registrar o maior índice de letalidade do ABC e ter mortes registradas em servidores públicos por covid-19, Mauá é a única cidade que ainda não oferece a testagem aos funcionários de serviços de segurança e Saúde. A normativa de testagem rápida é nacional, do Ministério da Saúde, e prevê o envio de testes rápidos para servidores das Pastas, inicialmente, com sintomas gripais e servidores no grupo de risco, mas as cidades têm ampliado a aplicação, todas, menos Mauá.
Mauá tem uma taxa de letalidade de 15,9% e já registrou a morte de dois servidores da SSU (Secretaria de Serviços Urbanos) e de um médico por coronavírus, além de ter afastado 223 profissionais de Saúde por suspeita de contaminação – 33 novos profissionais nesta quinta-feira (14/5), segundo relatório da administração do prefeito Atila Jacomussi (PSB).
No entanto, questionada se seguiria os passos das vizinhas que tem se empenhado nas testagens em massa, o governo de Atila afirmou que ainda estuda a proposta, pois atualmente os testes disponíveis no país tem uma janela de detecção curta e “os testes podem não surtir efeito dependendo do momento em que a pessoa se encontrar”, segundo a gestão de Atila.