Segunda morte de profissional nesta semana coloca Saúde de Mauá em alerta

Outros dois servidores estão internados, mas administração segue sem oferecer testagem em massa

Paula Cabrera

A morte de duas profissionais da Saúde em Mauá nesta semana voltou a acender o sinal de alerta entre os trabalhadores da Saúde sobre a necessidade de ampliar a testagem para os profissionais que estão na linha de frente no combate ao coronavírus. Fontes do Sindicato dos Servidores de Mauá afirmam que ambas as profissionais estavam trabalhando, mesmo com a informação da administração de que Zilda Serafim teria sido afastada pela idade. “Temos informações de que as duas servidoras que faleceram estavam na ativa. Se afastaram só quando precisaram ser internadas”, afirmou ao JNC. Dona Zildinha teria sido promovida a enfermeira há cerca de três meses e, por isso, não teria sido afastada das funções.
A segunda morte foi confirmada nesta terça-feira (9/6). Claudia Stephanie Silva da Mata tinha 30 anos e trabalhava na UPA Vila Magini. Ela foi internada no fim de maio e não resistiu a doença.
O JNC recebeu ainda um áudio, que teria sido enviado por uma enfermeira diretora, sobre dificuldades de profissionais da Saúde para fazer testes rápidos no Hospital de Campanha e sobre a difícil ampliação da testagem, como o feito em outras cidades.
“Tivemos problemas com o hospital de campanha, por isso pedi que registrassem na ouvidoria e não fizeram. O que eu fiz é que todas as queixas que recebi, fiz um relatório, passei pro gabinete, o gabinete fez um documento e anexou ao meu, mandaram pra empresa terceirizada que administra os médicos do hospital de campanha porque eles têm protocolo para seguir e, muitas vezes, não estava sendo seguido”, diz ela, que afirma que a realidade de Mauá é diferente de outras cidades que ampliaram a testagem, mas que a possibilidade não estava descartada totalmente.
Além das duas profissionais outros dois servidores estariam internados em estado grave, um médico da UPA Barão e um enfermeiro da SAMU. A reportagem prefere, neste momento, preservar os nomes, que, no entanto, foram enviados à Prefeitura de Mauá para informações sobre estado de saúde, sem retorno.
O Diretor Executivo do Sindserv, Marcelo Órfão diz que o sindicato tem cobrado a ampliação da aplicação dos testes, como outras cidades da região tem feito, pois o clima entre os profissionais é de incertezas e instabilidade. “É preciso uma atenção além de bônus salariais aos servidores da linha de frente, bem como de amparo à municipalidade. Afinal, grande parte dos profissionais são munícipes. Mauá é uma cidade dormitório e muita gente trabalha em cidades que são epicentros de contaminação na região, como São Bernardo e a própria capital e acaba se utilizando da estrutura do município quando adoecem. Isso, de certa forma, sobrecarrega os profissionais de saúde do município”, diz ele.
A administração do prefeito Atila Jacomussi (PSB) não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria.

ÁUDIO DA ENFERMEIRA DIRETORA: