Hospital de campanha de Mauá segue sem testagem, mesmo após pedido do MP

Orientação seria para exames apenas em casos graves, mas ao MP, Prefeitura negou situação

Por Paula Cabrera

A realização de testes no hospital de campanha de Mauá e nos serviços de Saúde em geral da cidade seguem sendo motivo de reclamação entre os pacientes. A informação é de que apenas pessoas em estado crítico teriam indicação de realização do exame, principalmente no hospital de campanha. Em questionamento do MP – Ministério Público no entanto, a administração negou a situação e afirmou que a testagem tem sido realizada de acordo com a análise clínica e dentro do chamado “padrão ouro” que ocorre a partir do 7° dia de sintomas.

Segundo o promotor João Henrique Ferreira Pozzer, responsável por acompanhar os desdobramentos do inquérito civil sobre a pandemia em Mauá, “as informações encaminhadas ao Ministério Público dão conta de que a Prefeitura Municipal recebeu aproximadamente 7.500 kits de teste rápido de anticorpos, para detecção do vírus SARS-CoV-2, para serem utilizados como apoio para a avaliação do estado imunológico de pacientes que apresentem sintomas de covid-19”.

Ainda segundo o promotor, “do total de kits recebidos pelo Município, 2.250 foram adquiridos a partir de pleito formulado pela Promotoria de Justiça, para liberação da quantia de R$ 300.000,00, depositada em conta judicial, à disposição do Juizado Especial Cível Criminal da Comarca de Mauá, fruto de pagamento de multas cíveis e criminais”.

Apesar da orientação e do retorno passado ao MP, a realidade para os pacientes seria outra. Três doentes, que tiveram confirmação por exame particular, tiveram o teste negado pela equipe médica do hospital de campanha. Uma dessas pacientes, que prefere não ter o nome divulgado, afirma que procurou o hospital 7 dias após começar a sentir-se mal, recebeu receita para tratar o caso com azitromicina, mas não pode realizar o exame.

“Paguei no Lab Hormon e deu positivo. Fiz a coleta no mesmo dia em que a equipe médica se recusou a fazer no hospital de campanha”, reclamou ela.Já Katia Oliveira reclama que após a irmã ser internada com o covid-19, a mãe e ela mesma apresentaram sintomas. Com a febre constante da mãe, já no grupo de risco, ela a acompanhou ao hospital de campanha e, mesmo com a informação de que já havia um caso na família, a equipe médica também negou o exame.

Ao MP a administração justificou que “os pacientes com hipótese diagnóstica de covid-19 (ato médico) podem ser submetidos a teste rápido de anticorpos, que ainda não estão sendo realizados em massa diante da quantidade ainda limitada de testes recebidos”. Apesar da situação, a administração do prefeito Atila Jacomussi ( PSB) justificou à Promotoria que “todas as unidades de pronto atendimento da rede pública de saúde, como as UPAs.,  Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini e o hospital de campanha estão habilitados para submeter os pacientes com hipótese diagnóstica de covid-19 à coleta de raspado (swab) nasofaríngeo, cujas amostras estão sendo encaminhadas ao Instituto Adolf Lutz para exame; o prazo para envio dos resultados ainda tem variado, sendo geralmente superior a 7 dias”. Pacientes também contestam essa informação. Nenhum dos consultados no hospital de campanha fez o exame do cotonete. Segundo a família de uma das pacientes mortas por conta do covid-19, ela não teria realizado testagem para comprovar a infecção. “Eles afirmam que em casos graves, a tomografia é o suficiente para confirmar a doença, já que o padrão da imagem é bem específico”, diz a filha da vítima.

Três famílias que perderam seus parentes deram exatamente o mesmo depoimento ao JNC.

Procurada, a Prefeitura não respondeu até o fechamento desta edição.