Atila recebe jovem vítima de racismo e afirma que Prefeitura auxiliará no caso

Paula Cabrera

O jovem Alan Silva Braz, 24 anos, que teria sido vítima de racismo no Assaí Atacadista, em Mauá, foi recebido nesta quinta-feira(9/7) pelo prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB). Na ocasião, o prefeito afirmou que a cidade não tolera comportamentos de discriminação racial e se comprometeu a auxiliar o jovem no desfecho do caso. O assunto dominou páginas da região e causou comoção de políticos e ativistas da cidade.
Segundo Alan, após sair do trabalho, ele esteve no supermercado, mas resolveu desistir da compra por conta do grande movimento no local. No entanto, ao sair em direção ao estacionamento, foi surpreendido por dois seguranças, que diziam ter recebido denúncia de que ele portava arma de fogo.
Morador do Jardim Oratório, em Mauá, o vendedor disse que ficou “perplexo” com a situação. “Os seguranças disseram, de forma autoritária, que eu teria de parar já que uma mulher me viu armado. Pedi para que eles chamassem esta tal mulher, e eles simplesmente me ignoraram, tentaram me repreender para pegar minha bolsa e me revistar. Antes que me alcançassem comecei a gritar ‘racismo’, pedindo por ajuda”, relembrou Braz.
O jovem afirma que os seguranças ameaçaram chamar a PM (Polícia Militar), não o deixando sair do estabelecimento. “Fui humilhado, coagido e acusado de portar arma por funcionários do mercado. Depois que eles viram que eu não iria abaixar a cabeça, logo me liberaram, e acabaram não ligando para a polícia, já que visivelmente se deram conta do absurdo que estava ocorrendo”, relatou.
O desabafo foi publicou em seu perfil profissional Mary Onnet – nome artístico como drag queen – onde ele postou vídeos enquanto os seguranças o mantinham no estacionamento. O caso foi registrado por boletim de ocorrência virtual como injúria, com agravante em raça, cor e etnia.
Por meio da assessoria de imprensa do GPA (Grupo Pão de Açúcar), o Assaí se manifestou dizendo que abriu processo interno de apuração do caso e reforçou que a revista de clientes não é procedimento da empresa, além de que “preza, acima de tudo, pelo total respeito às pessoas”. 
Nesta quinta-feira, coletivos negros da cidade marcaram uma manifestação contra os atos racistas do atacadista.