A USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) iniciou nesta sexta-feira (31/7) os testes da CoronaVac, a vacina contra o coronavírus que está sendo desenvolvida em conjunto pelo laboratório chinês Sinovac Biotech e o Instituto Butantan. O momento histórico é consequência das diversas ações pioneiras e referenciais adotadas pela cidade para combater a covid-19, além do reconhecimento à autarquia como potência na área médica e da Saúde.

A Universidade é um dos 12 centros de pesquisas do País que trabalham na terceira e última fase de testes da vacina. A CoronaVac é um dos potenciais imunizantes do coronavírus mais promissores do mundo. Cerca de 9 mil profissionais da Saúde do Brasil que atuam no atendimento a pacientes com covid-19 estão sendo testados voluntariamente – 652 deles no Centro Clínico do Hospital São Caetano, no Bairro Santo Antônio.

“Termos a USCS como um dos centros de pesquisas que testam a vacina reflete o nosso compromisso com a ciência, com a Saúde pública e, sobretudo, com o enfrentamento à covid-19. É um trabalho em prol da humanidade. E, portanto, um orgulho muito grande”, destacou o prefeito José Auricchio Júnior.

A primeira voluntária testada foi a enfermeira Francini David Maria, de 31 anos. “Nós, enfermeiros, temos a missão de ajudar as pessoas. Mas este é um momento que vai além disso. É uma contribuição com a saúde da humanidade. Um marco maravilhoso na minha vida e na minha família”, afirmou, orgulhosa. Francini e todos os voluntários da CoronaVac precisam tomar uma dose de reforço 14 dias após a primeira.

O reitor da USCS, Leandro Prearo, anunciou o lançamento da plataforma coronauscs.org, site no qual os profissionais de Saúde candidatos a voluntários devem se cadastrar para os testes da vacina. “Teremos 60 dias para incluir (testar) os 652 voluntários. Eles serão acompanhados por até um ano, garantindo a segurança e eficácia do estudo”, ressaltou o epidemiologista Fabio Leal, ao observar que, dependendo dos resultados prévios, é possível chegar a uma conclusão antes de 12 meses.

CORONAVAC

O laboratório asiático já realizou testes em cerca de mil voluntários na China, nas fases 1 e 2. Antes, o modelo experimental aplicado em macacos apresentou resultados expressivos em termos de resposta imune contra o coronavírus.

A farmacêutica forneceu ao Instituto Butantan as doses da vacina para a realização de testes clínicos de fase 3 em voluntários no Brasil, com o objetivo de demonstrar sua eficácia e segurança.

Caso a vacina seja aprovada, a Sinovac e o Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala e fornecimento gratuito pelo SUS. Os passos seguintes serão o registro do imunizante pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a distribuição em todo o Brasil.

Além da USCS, participam da fase final da pesquisa o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; Instituto de Infectologia Emílio Ribas; Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto; Universidade Federal de Minas Gerais; Hospital Israelita Albert Einstein; Hospital das Clínicas da Unicamp; Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto; Universidade de Brasília; Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas de Fiocruz (RJ); Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul; Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

Mark Ribeiro | Fotos: Eric Romero / PMSCS