Exclusivo: Atila se filia ao Solidariedade

Ex-prefeito teria costurado acordos na esfera estadual do partido para concorrer como deputado estadual no ano que vem

Paula Cabrera

Agora é oficial. Conforme adiantado pelo JNC, o ex-prefeito de Mauá, Atila Jacomussi deixou o PSB para se filiar ao Solidariedade. A ficha teria sido assinada em 13 de abril. No site do Solidariedade, a filiação foi postada na noite desta quinta-feira (6/5). Segundo a Justiça Eleitoral, o ex-prefeito seria primeiro secretário executivo da legenda, com cargo previsto até 30 de abril do ano que vem.
Longe de ser unanimidade nas fileiras da sigla na região, Atila teria costurado o acordo na esfera estadual da sigla e puxado o tapete do vereador Neycar (SD), que se preparava para disputar o posto.

Deputado Federal Paulinho da Força, Atila Jacomussi e o vereador Neycar

Neycar foi um dos principais pilares a garantir que o socialista voltasse ao cargo com governabilidade após o impeachment ser cassado na Justiça em 2019. Nos bastidores a decisão de Atila é vista como um ataque ao ex-aliado, que não estaria feliz com a situação.

Vale lembrar que ele foi indicado ao cargo para trabalhar na Câmara de São Paulo, que tinha salário bruto inicial de R$ 19.085,82, quantia superior à que recebia quando administrou Mauá – quando recebia R$ 18.576,09 pelo Solidariedade. O socialista teve a nomeação confirmada no Diário Oficial do Município em fevereiro. A indicação foi feita pelo vereador Sidney Cruz (SD).
Para confirmar a corrida pela vaga na Assembleia, Atila ainda precisa confirmar a aprovação das finanças de seu primeiro ano de mandato na Prefeitura de Mauá. O TCE (Tribunal de Contas do Estado) deu parecer pela rejeição, que se for acompanhado pelos vereadores, tornariam Atila inelegível.
Nos bastidores, a aprovação das finanças do socialista tem sido discutida com parlamentares que devem se encaminhar para sua aprovação.
O ex-prefeito já teria fechado a maioria dos 16 votos necessários para não ser condenado por improbidade administrativa.
Segundo o relator das contas no TCE, conselheiro Samy Wurman, houve “expressivo déficit orçamentário”, na ordem de 32%, “demonstrando que o orçamento foi superestimado”. Ele alertou que a administração Atila, a despeito de vislumbrar problemas de arrecadação – a peça foi formulada na gestão do ex-prefeito Donisete Braga, o governo não teria adotado mecanismos de contenção de despesas ou limitação de empenho financeiro. Os investimentos com educação também teriam ficado abaixo do previsto.