Pediatra da UPA Zaíra também diz ter sido demitida após perseguição política

Ela teria sido desligada em maio, após não aceitar convite de se filiar ao partido do prefeito

Paula Cabrera

Outra médica confirmou nesta sexta-feira (10/7) que teria sido demitida do quadro da Prefeitura de Mauá após ser vítima de perseguição política da gestão do prefeito Atila Jacomussi ( PSB). Essa seria a quinta demissão na Saúde por divergências políticas entre o governo de Atila e profissionais da Pasta.
A pediatra Juliana Campello Freitas d’Albuquerque prestava atendimento
fixo na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Zaíra, mas é amplamente conhecida por prestar plantões nas quatro UPAs da cidade. A demissão de Juliana aconteceu em 28 de maio e, segundo ela, a dona da empresa responsável por sua contratação teria confirmado em áudio que o pedido foi político.
“Estava há seis anos prestando serviços na Saúde de Mauá. Era contratada por uma empresa terceirizada, que presta serviços para a FUABC (Fundação ABC). A médica responsável pela empresa me mandou um áudio e deixou claro que o pedido foi político. Disse que falas minhas sobre o Atila teriam desagradado”, diz ela.
Juliana é filiada ao PSC, mas diz ter recebido convite para se filiar ao PSB, partido do prefeito e negado. “Sou cristã e dentro dos pressupostos da política, me identifiquei com os ideais do PSC. Sou hoje pré-candidata à Câmara, mas nunca falei nada no sentido de perseguir ou desagradar o prefeito. De qualquer maneira, vivemos agora em uma ditadura? Porque essa administração deixa muito claro isso”, conta ela, que chegou a participar de uma reunião com o secretário de Saúde de Mauá, Luís Carlos Casarin, mas sem resolver o problema. “Ele negou qualquer tom político, mas quando mostrei o áudio pra ele e perguntei quem estava mentindo, ficou muito nervoso”, conta ela.
Juliana diz ainda que sua demissão causou problemas diretos no plantão das quatro UPAS, já que não teriam sido feitas recontratações. “Tínhamos dois pediatras no plantão, agora, no meio de uma pandemia, temos apenas um. Isso não existe. É inaceitável que questões políticas sobressaiam a saúde do povo”, diz Juliana.
Essa seria a quinta demissão, apenas na Saúde, por conta de possíveis perseguições políticas feitas pelo grupo de Atila. Na noite desta quarta-feira (8/7), quatro profissionais do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram desligados após os profissionais participarem de uma live, promovida por um deles, em que debatiam a prestação do serviço durante a pandemia na cidade. A administração do prefeito Atila Jacomussi (PSB) não teria gostado do tom de críticas feitas pelos servidores durante a conversa. Em um certo momento, um enfermeiro e um médico se emocionam ao falar de um amigo que estaria internado por não ter sido afastado das funções, apesar de ser parte do grupo de risco. O servidor sobre o qual os profissionais conversam é o enfermeiro Ronaldo dos Anjos, que faleceu dois dias depois do vídeo, gravado em 1º de julho.
Cleiton Teixeira (enfermeiro do SAMU), Victor Badini Vieira (médico intensivista), Diego Coca (médico intensivista) e Ronaldo José de Oliveira (auxiliar de enfermagem e motoambulância) afirmam ter sido pegos de surpresa com a decisão. A maioria prestava serviço em Mauá há mais de cinco anos. “Durante a live respondemos diversas perguntas sobre o serviço da SAMU e, aparentemente, alguns membros do governo não gostaram”, explica Cleiton. Ele é filiado a um partido político e se apresenta como pré-candidato à vereador. A live teve cerca de 1.700 visualizações durante os últimos oito dias.
Chama a atenção o fato de o prefeito afirmar, constantemente, ser alvo de perseguição política e censura. No entanto, a administração parece não pregar a mesma preocupação na função de proteção aos direitos de seus servidores. “Fomos todos dispensados, sem explicação, no meio da pandemia. Nunca imaginei uma situação dessa, afastar profissionais treinados.”