Após morte de paciente, Mauá quer ampliar leitos de UTI

Secretário de Atila diz que sistema pode colapsar em duas semanas e quer aumentar em 50% capacidade de UPAs e do Nardini

Paula Cabrera

A administração do prefeito Atila Jacomussi (PSB) confirmou que trabalha para ampliar em 50% o número de leitos semi-intensivos e de UTI na cidade para atender aos pacientes de covid-19. Em entrevista ao RDTV no início da noite desta segunda-feira (18/5), o secretário de Saúde, José Luís Casarin, repercutiu a morte de uma paciente de 66 anos, na UPA Barão de Mauá na tarde de ontem e afirmou que a escalada de casos na cidade tem sido motivo de preocupação entre a equipe de Saúde. Em apenas 18 dias, o número de casos pulou de 142 para 257, alta de 81%. O secretário diz que caso o número de casos sigam a tendência atual, a “região metropolitana” pode colapsar em duas semanas. Segundo Casarin, há realmente dias em que a ocupação de leitos já atinge os 100%. “Levamos em conta, no entanto, a média de ocupação. Em Mauá ela varia entre 80% e 90%”, afirma ele.
O JNC divulgou ontem a morte de uma mulher, de 66 anos, que estaria aguardando a liberação de leito no Hospital Nardini, mas não resistiu. O secretário justificou que as UPAs estão equipadas para atender os pacientes em estado grave da mesma maneira que o Nardini e afirmou que o pedido de transferência é praxe, pois as UPAs são a porta de entrada dos pacientes e cada uma possui apenas dois leitos adaptados para atender pacientes com coronavírus.
Nesta segunda, no entanto, a reportagem recebeu duas outras reclamações, de internações por covid-19 na UPA Vila Assis e que também aguardavam a remoção. Duas senhoras, uma de 59 e outra de 75, que teriam comorbidades e estariam em estado grave, mas sem entubação. No início da noite, a família da paciente de 59 anos confirmou que ela já estava na ambulância à caminho do hospital Nardini. Elas afirmam que a UPA tem menor número de profissionais e que, no local, a cloroquina não está disponível. “Receitaram cloroquina na quarta, mas ainda não começaram o tratamento. Na UPA o atendimento é justo, mas eles não tem tantos recursos para casos mais graves”, disse a acompanhante de uma das pacientes, que confirma que ela foi entubada no fim de semana.
Já a filha da senhora de 75 anos diz que ainda não recebeu indicação de uso de cloroquina e que a médica avaliou que a entubação poderia ser fatal para o caso, por isso o acompanhamento deveria ser feito em um hospital com mais recursos.
Casarin diz que a Prefeitura quer ampliar os leitos semi-intensivos nas UPAs de dois para três e pretende dez novos leitos no Nardini, que teria 20 destinados aos casos de coronavírus. A liberação estaria sendo discutida com o governo do Estado para auxiliar na compra de respiradores.
O secretário confirmou ainda que o promotor José Luiz Saikali esteve em contato com ele nesta segunda-feira cobrando informações sobre leitos. “Pedi auxílio para podermos intervir em leitos no Hospital América e na Santa Casa, caso haja necessidade. Ele se comprometeu a me auxiliar nessas conversas”, justificou.